terça-feira, 11 de março de 2014

Fraude e enigma

Com mais dois registros curtinhos terminam as notas de um ano atrás no caderninho de folhas amarelas. Eis a penúltima:

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14/3/13

Ainda a respeito de Viagens: parece que o autor/narrador vive uma divisão. Ele exalta a simplicidade, a pureza dos lugares e costumes simples, mas se deleita em comparações com ambientes sofisticados que não encontra nessas viagens. Por quê?

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Não é bem uma resposta, mas uma pista, dada pelo próprio Garrett e lida hoje, nesta minha — até agora, ao menos — mais bem-sucedida viagem pelas viagens dele: "Oh! que existências que eram aquelas quatro! [Na passagem, narra-se um episódio em que os personagens ocultam uns dos outros uma verdade que, no fundo, todos conhecem; e é patente também que todos se dão conta da mentira.] Esse frade, essa velha, essas duas crianças! E a maior parte da gente que é gente, vive assim... E querem, querem-na assim mesmo, a vida, têm-lhe apego! Oh, que enigma é o homem!" (GARRETT, Almeida. Viagens na minha terra. Porto Alegre: L&PM, 2013. p. 105-106)

sexta-feira, 7 de março de 2014

Escuma descorada

Tantos dias sem escrever... E olha que por enquanto ainda recorro a escritos de um ano atrás, do caderninho de folhas amareladas:

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13/3/13

Viagens na minha terra, de Garrett. Terei forças desta vez? Há mais de vinte anos, o sono e o esquecimento prevaleceram. Agora tenho uma motivação, meus alunos do 2EM. Primeira página do primeiro capítulo: anuncia-se uma viagem, mas não grandiosa ou aventurosa (pelo menos pelo padrão de hoje; na época, 1843, quem sabe?). Na segunda página, a 26 da minha edição, o autor desperta a minha simpatia: destaca o bom gosto do povo, em detrimento da dita sociedade, a que ele chama "escuma descorada".

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Passam-se algumas horas, em que tive a oportunidade de ouvir uma explicação destas Viagens dada pela prof.ª Isabel. Foi interessante para entender as várias viagens de que trata o livro. No trecho que li agora, o próprio autor declara uma de suas intenções: "Nesta minha viagem [...] está simbolizada a marcha do nosso progresso social" (p. 29).

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Não tive forças. Falhei mais uma vez, mas não desisti. Retomei há alguns dias, novamente por meus alunos, já de um outro 2EM.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Percurso racional

Segue o bloquinho de papel amarelado (já não serão muitos registros):

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11/3/13

Este é um diário de leitura, mas faço inicialmente um registro de "não leitura" que me incomoda. Tem sido difícil acompanhar devidamente o curso MBA a distância como tutor. É uma situação em que leio quase que tão somente por obrigação, e esse é o pior tipo de leitura, sem dúvida. Preciso conseguir escavar alguma motivação do fato de a minha leitura poder contribuir de algum modo para a qualidade do aprendizado dos meus "alunos". Quanto às leituras propriamente ditas, terminei A garota das laranjas. É muito bonito e me agrada o confronto de duas liberdades — do pai e do filho. Ambos declaram uma opção niilista por princípio, mas parecem ceder em vista de um argumento de utilidade da sua existência. É um percurso racional, que arrasta consigo depois a afetividade (alguns podem tender a achar o contrário, mas essa inversão não me convence). Sem perceber, uni ao final as duas preocupações deste registro. Tomara que eu também complete o meu percurso racional de modo frutuoso.

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Não posso dizer que o completei. Mas é uma exigência, mais do que nunca.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Pungência da memória

Mais uma nota do bloquinho de papel amarelado:

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8/3/13

Quando comecei a ler A garota das laranjas, não pude não me identificar com o pai que a morte afasta do filho aos três anos: é justamente a idade da Lucinda hoje! Se eu me fosse, apesar de tudo o que já vivemos, quanto ela se lembraria de mim ao crescer? Agora, com a morte do meu pai, voltou-me o mesmo pensamento: ele — e também o outro avô, que morreu há pouco mais de um ano — se perderão na memória dela, a não ser pelo depoimento que lhe dermos dele.

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Tomara que o depoimento seja à altura.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Uma nova esperança

Decepção, talvez, para os fãs de Star Wars, mas o texto na verdade remete a um desejo sempre preterido, o de escrever com constância e liberdade. Há quase um ano, uma tentativa, ainda no bloquinho de papel amarelado:

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4/3/13

Estou sempre esperando uma ocasião solene para começar, sempre determinado pela falta de tempo, de lugar adequado, de clima... Aproveito esta substituição inseperada no 7º EF (!) para eliminar as desculpas. Ensaiei vários inícios para o diário. Lembrei-me primeiro das leituras que tenho feito como tutor do MBA. Que dureza estes meses da última disciplina! Será que uma hora vai me dar o clique a respeito desses conteúdos e vou me sentir à vontade, até animado, com eles? Neste momento, em relação aos livros que devo ler para o colégio, é um misto de sufoco e animação. É sufocante porque são dezenove livros para ler ou reler em cerca de um mês. Animação porque todos ou quase todos me parecem ótimos e estou muito a fim de aproveitar essa chance de ler com frequência não apenas jornais e material didático. Já li A chave do tamanho. Muito interessante, por vezes panfletário, até positivista, talvez. Estou na metade de A garota das laranjas e no começo de Depois daquela viagem. Estão valendo cada página. Depois comento especificamente. Espero!

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O "Espero!" era sincero como agora. No que vai dar?...